He never let go of a question, once he had asked it.

.good taste.

.music.

.cinema.

.art.

.books.

.myth.

.animals.




.connections. *Learning to Live*
*Sweet Serenity*
*Jesse Go!*
*Leandro Paquera*

.visitors.

visitas




[Quinta-feira, Maio 17, 2007]

As vezes a espera parece ser infinita, so muda o que se espera.
E a espera eh uma das piores torturas, nao possibilita um presente pleno.
Voce ta la e aqui ao mesmo tempo, logo, voce de verdade nao esta aqui, ou la. Voce nao eh inteiro.
E quando voce nao sabe nem pelo que espera? E quando a sensacao eh de perda mais do que de espera? Perda de algo que voce nunca teve, mas sente falta. Provavelmente sente falta de uma nova materia carregando a mesma energia de algo que te fez inteiro. Aonde esta essa energia?

Como eh que decidem quem acorda bem ou mal a cada dia?

...

por Laila Razzo *

[Quarta-feira, Maio 02, 2007]

As minhas fezes fertilizam minha imaginação.


Eu só queria saber quem é que caga preocupado, pensando no trabalho que tem que entregar amanhã sem falta, que se demorar mais cinco minutos vai chegar atrasado, que os chifres tão ficando cada vez maiores porque a namorada não se assossega (aquela vadia)... Porque definitivamente cagar é o ato de externar todas as suas frustrações, meu amigo. É um presente divino ter esse buraquinho no fim de nossa existência. E se algumas pessoas gostam de internar as frustrações também já não é problema meu.

Minha mãe sempre diz que minha primeira bostinha, daquelas verde-criptonita de Smallville, foi a primeira vez que ela me viu mostrar a gengivona de feliz. Foi provavelmente o começo de uma história de amor, eu devia tá emocionada, ou curtindo meu primeiro orgasmo fecal :D Só pra explicar que a fascinação data de muitos anos atrás.

Hoje de manhã: A menor vontade de ir pra aula e com uma dor de barriga horrível. Lógico que eu ia usar isso como desculpa. Fui pra enfermaria. "Sabe o que é... É que eu na verdade to com vergonha de pedir permissão pra ficar no quarto pro Mr. Higgins com o motivo que eu tenho... É que eu to com muita dor de barriga. Eu passei a noite de ontem indo ao banheiro direto, às vezes conseguindo fazer alguma coisa, às vezes nada. Eu achava que ia tá melhor hoje, mas quando foi no meio do café da manhã voltou a doer de novo...E fazem umas duas semanas em que estava no meu período, por isso não pode ser isso". E eu fiz um relato da minha noite pseudo cocozenta. Eu nunca gazeio aula, a outra vez que fiquei no quarto eu realmente tava doente e tudo mais. Essa desculpa foi a melhor que eu poderia desenvolver, afinal de contas é um dos meus assuntos preferidos, não?

Porém, a maldita da velhaca daquela enfermeira não queria me deixar ficar no quarto. Porque de acordo com ela ficar no quarto não ia adiantar nada, o remédio só faria efeito oito horas depois e ela me daria painkillers e blá blá blá. Daí eu disse que não queria ficar no meio da aula com dor de barriga, indo nos banheiros do colégio toda hora e saindo de lá dando de cara com alguém esperando pra usar o banheiro e receber de presente o odor apaixonante do meu presente divino.

Ela mandou eu deitar na cama, levantou minha saia sem cerimônia nenhuma e saiu apalpando minha bexiga com aqueles: "Aqui dói? E aqui? E ali acolá não sei mais onde", me deu dois comprimidos branquinhos e dois marrons que mais pareciam pedacinhos de bosta, enquanto eu me perguntava pra que seriam esses comprimidos ela explicou que os marronzinhos eram pra que eu fizesse cocô, "Também... pudera!". Ela ainda meteu duas colheres de uma gosma cor-de-rosa na minha boca com gosto de pasta de dente pra me dar fibra, um suco-medicina de laranja cheio de farelo não muito diferente da água colorida com suave sabor artificial que o colégio nos proporciona em nossas refeições, provavelmente pra fazer a minha flora intestinal encontrar a primavera. Me chamou de constipada e perguntou se meu digníssimo cocô estava como mm's.

Assim que eu cheguei da enfermaria, feliz com minha autorização pra perder aula, eu percebi que a dor de barriga era o bode chegando mesmo ¬¬ e chegou. "Eta porra, eu vou descer um barro certo na hora do jantar...", eu pensei e depois abri um sorriso: e tem lá coisa melhor ?! Só torci pra não vim mole. No fim, eu tomei o remédio certo (depois daquilo tudo pra minha saúde bostal), um pra cólica menstrual que a Olga me deu. E oito horas depois de ter estado na enfermaria estou aqui meu trono de Rainha e contente, porque mole não veio! YAY!

por Laila Razzo *