I don´t do drugs. I am drugs.
Salvador Dali

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Laila . 18 . publicidade . escrever . fotografia . capuccino . cigarro . Red Hot Chili Peppers . Harry Potter . parede de recortes . sarcasmo&ironia . criatividade . batata . etc

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[Sexta-feira, Novembro 30, 2007]

E eis que acordo querendo consumir.
"Maldito mundo capitalista!" - pensa o punk.
"Por isso que tu é feio e fede..." - penso eu.

Eu queria roupas, queria roupas e queria roupas. Já tinha adiado essa minha ida à C&A pra fazer aquela geral no guarda-roupa faz tempo, mas não foi hoje que fui lá. Hoje eu acordei pra ser uma verdadeira perua. "Bate cabelo! Arrasooouuuu!".

Fui ao shopping e ao shopping eu fui.

Trajava jeans velha e um tanto surrada com bolsões, camiseta simples, chinelo de dedo e minha bolsa, sua bolsa e de todas as pessoas que tem "A" famosa com sua temática indiana encontrada em qualquer camelô.

Entro numa loja "pobre". Pobre no tamanho (só tinha tamanho único, mesma coisa de dizer P que estica M), pobre no atendimento e pobre no movimento, provavelmente as pessoas pensam que ali quem compra é pobre. Não deu. Pessoas avantajadas, como eu, não tem vez nessas lojas.

Na segunda que eu entro e me engraço por uma camisa, 18 reais. Tava no lucro. Camisa barata assim é difícil de achar no shopping.
"Tem calça pro meu tamanho?" (tamanho não revelado bloguisticamente porque sou perua e não perco a classe).
"Tem simmmm" - a mulher ficou tão feliz que ela saiu catando todas.

Vesti todas, não me agradei. Quando disse que não ia levar e fui explicar pra ela, conversar simpaticamente sobre minha provação das roupas a mulher vestiu uma tromba. As calças eram 100 e lá vai porradinha.
"Ela deve ganhar comissão... toma, vaca!" - pensei.

De lá me dirigi à loja preferida da minha irmã do meio, provavelmente a mais cara do shopping inteiro e entrei mesmo só pra causar. Um cartão de débito na bolsa te faz ter tanta confiança... Ou seria minha peruísse nada acentuada pelos meus trajes?

E chega a maltrapilha nas loja da elite de Saint Louis City. A mais velha das atendentes, sotaque de fora e mandando em todo mundo, ou seja: a atendente-chefe, veio ao meu encontro. Algo na mente dela dava pra ser captado pela minha alta sensitividade... algo como: "Que porra que essa pobretona quer aqui? Não tem nem dinheiro pra comprar uma bolsa decente..." porém, uma tentativa de expressão simpática aparece-lhe na face. E eu... aaaaaah, eu arrasei.
"Quero ver essa e essa e essa e essa. Tem do meu tamanho?"

E vou para a cabine experimentar as roupas, e que cabine. Ampla, carpete bem macio, luz suave, nada muito florescente e forte na minha vista peruática, espelho enorme e de tom mais escuro que os normais. Bem chique, bem elegante. Experimento as roupas. Perfeição! Quem diria com meus bolsos naturais nos quadris? Arraso. Experimentei, experimentei e liga a trilha sonora da hora da transformação clichê de filmes. Dançava e fazia poses e rodava e... AAAAAAAAAAAHHHH... Tudo biurifou e a atendente-chefe percebeu que eu tava séria ao querer levar algo e me enchia de elogios dentro das roupas, lógico. Sabia do preço salgado e a perua em mim pensou: "Se meteu nessa, agora saia com classe". Escolhi dois vestidos e fui pagar. O olho da cara se eu não tivesse meu visinha e restos dos meus tempos europeus, porque perua que é perua passa uns tempos na Europa, sabe?

Ápice de peruagem e crááásse?
No caixa a mulher nem percebe que era débito:
"É pra parcelar?"
"Não".
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH. CADÊ MEU TRÓFEU? ARRASOOOO. No meu caso ARRAZZO! Ui.
Saí da loja a maltrapilha mais crassuda do mundo inteiro. Até andei diferente em cima do meu salto invisível. O que um pouco de peruagem não faz ein? Até me transforma numa mulher FEMININA (vide poste sobre feminilidade).

Não para por aí...
Vou comprar a sandália pra combinar em outro lugar. Escolho logo qual loja? Uma que nunca tinha entrado antes que só depois mamãe me fala que é outra das mais caras. Achei a sandália na vitrine! Calcei, linda, ARRAZZO. Experimentei a roupa da outra loja lá pra ver como ficava. Quando coloco a roupa... em outra luz, em outro espelho, naquela cabine minúscula daquela outra loja... POOF. Cadê a magia?! Todas as imperfeições aparecem... bucho ali, gordura saindo ali acolá... Puta que pariu. Como me vinguei? Comprei MAIS UM vestido nessa loja da sandália perfeita. Caro, barato? Quem se importa? Meu ego tava sendo massageado e meu visinha passando tudo.
Volto pra casa feliz mas com um peso na consciência no background... Que diabos que eu fui inventar de ser perua logo no shopping gastando nas lojas mais caras?

E não para por aí.
Chego em casa e tudo mais. Não demora muito minha irmã do meio, a que gosta da tal loja onde eu comprei os dois primeiros vestidos chega em casa. E eu vou toda perua contar pra ela que eu fui lá e comprei dois vestidos... e... quando eu olho pra ela... "ESSE!!!!!"
ELA TAVA COM UM VESTIDO IGUAL AO QUE EU COMPREI!!!
Mesma cor, mesma estampa, mesmo gorrinho atrás, mesmo tamanho, MESMO TUDO.
Gargalhadas e mais gargalhadas, porque além de ser uma coincidência cômica, fica mais cômico ainda pelo fato de eu e ela termos estilos completamente diferentes! Quem conhece sabe.
"Comprei outro também..." - comentei após uma crise de gargalhadas cessada.
"Vem ver aqui esse outro que bonitinho que eu comprei também..." - ela me chama.
Ela desdobra... e...
"AH PORRA, IGUAL O MEU OUTRO TAMBÉM, só muda a cor!"
HAUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHAUHAUAHUHAUAHUAUHAUHAUHAUHAUHAUHAHUA
Como é isso minha gente!?!?! É POSSÍVEL!?!!?!!? E ela comprou um dia antes de mim !!!!!

Enfim, meu dia de crassuda termina com uma perua que desceu do salto imaginário e começou a prôpor uma sociedade de roupas onde dividiríamos o uso dessa completamente idêntica e trocaríamos a minha por uma outra que coubesse nas duas, adquirindo assim mais um modelito para o guarda-roupa de ambas. Acho que não será aceito o acordo e ficaremos assim, duas peruas com roupas idênticas na mesma casa e seu orgulho perual mantido. Justo, não?

por Laila Razzo *

[Terça-feira, Novembro 27, 2007]

"Eu só" é uma maneira ruim de começar algo que se escreve. Já se começa mal, já se começa reclamando. Eu só queria isso, eu só desejava aquilo... Se fosse "só" mesmo, assim, algo pequeno, pouco, insignificante, nem se falaria dessa forma.
O porquê de se entregar a um pensamento é no mínimo incoerente, ilógico, irracional. E se afundar nisso é no mínimo tudo isso quadruplicado. O porquê das coisas parecem tão turvos e tão embaçados. Contudo, as cores dessa sensação cegam. O vazio após uma chuva de adrenalina é o mais amplo de todos.
Frases curtas, pontos frequentes. Reticências? Mais interrogações.
A beleza mais ofuscante é daquilo que sempre esteve ali, estranhamente colocado em um pedaço qualquer de caminho. Curvas fechadas, mãos diferentes, encruzilhadas ou bifurcações. Esses são os problemas ou as barreiras.
Treme tudo dentro.
Eu? Só.

por Laila Razzo *

[Quinta-feira, Novembro 08, 2007]

Estava eu no shopping. No shopping estava eu.
Passando em frente à um self-service e suas dezenas de cadeirinhas e pessoinhas tomando uma cervejinha, poucas comendo. Quando um homem de óculos com uma expressão entediada acena pra mim.
E uma interrogação surgiu em cima da minha cabeça. Pof.
Quem é esse cara que tá acenando pra mim, meu Deus?
E ele não parou de acenar, tava acenando compulsivamente! A mão até amolecia em outros gestos às vezes tamanha era sua empolgação. Empolgação essa que sua expressão facial escondia.
O que eu podia fazer quanto à isso? Deixar o homem no vácuo? Sorri e acenei de volta. Mas a interrogaçãozinha continuava ali.
Assim que passei do homem, virei meu rosto para vê-lo... e ele continuava acenando pra sua frente! Percebi que tinha uma velhinha assentindo com a cabeça sentada na frente dele.
E eu comecei a gargalhar alto, igual a uma louca...
O cara era surdo e mudo !!!

+_____________+

por Laila Razzo *

[Domingo, Novembro 04, 2007]

Ela sorriu. Ela brincou. Não só sorriu, gargalhou.
Abertamente, livremente, e simplesmente.
Ela dançou. Ela caiu. Não só dançou, rebolou.
Loucamente, espontaneamente, e simplesmente.
Ela chorou. Ela berrou. Não só chorou, se acabou.
No sentido mais superficial da palavra,
pois lágrimas não vêm de mal, vêm de graça
e me ensinaram que assim até injeção na testa.
Abra os braços pra lágrima cair.


por Laila Razzo *