Any experiment of interest in life will be carried out at your own expense.
The Libertine
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[Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008] Tem gente que cansou de ser sexy, eu cansei de ser feia. Aaaarrrghhhh, não aguento mais. Eu tanto não aguento mais que eu nem quero fazer mais nada à respeito. Que minha feiúra tome no ânus e fique por aí, exposta pra quem quiser ver. Se se sentirem ultrajados alguma lei deve me encobrir, afinal de contas não é bem uma coisa voluntária e meu advogado pode simplesmente dizer: a beleza está nos olhos de quem vê, assim como a feiúra.
E toda essa relatividade é uma grande mentira. Homem é homem, menino é menino, macaco é macaco e feio é feio! Mas como amante das artes e suas monstruosidades, minha fealdade é artisticamente bela, do ponto de vista picassiano, lógico. Um cubismo beirando o orfismo se pode-se assim dizer, só por uns detalhes de cor aqui e acolá e pra evidenciar quão sem graça é, afinal de las cuentas quem diabos conhece o orfismo? Nem Orfeu... Coisas mais importantes pra se preocupar e tal, sua linda mulher morreu, ter que ir no mundo dos mortos buscar ela, ter que tocar uma lirazinha pra fazer o cachorro de três cabeças dormir, se controlar pra não olhar pra trás e blá blá blá.
Se o exemplo do cubismo ficou confuso, que tal rolar um Botero pra explicitar outro fator? Como seria um cubismo boteriano? Surreal. Nem Bosch conseguiria pintar essa boschta. Há, ainda me resta um pouco do meu humor ridículo. Que beleza! Beleza? Not available. Heh...
Quem dera se Platão tivesse certo em relação ao belo, simplesmente sendo a manifestação de idéias e valores. Mas quem que é cego, minha gente? Aristóteles não foi e botou o pânico na ênfase da beleza pela simetria e pela proporção harmoniosa. Aristóteles me acaba... E olha que ele não era nenhum super sabor. Mas, sendo a arte e o belo coisas que não necessariamente andam juntas, prefiro me sentir um objeto de arte do que uma bela pessoa simétrica e de proporções aceitas pelo senso-comum. É melhor ser arte, é melhor ser um instrumento de criação sem fronteiras. Pegar a moral, o imoral, o amoral, a verdade, a farsa, o bem, o mal, a policromia, a acromia, caminhos, opções, ideais, valores e criar algo, ser algo, que signifique alguma coisa, que carregue alguma intenção, que dê uma pane nesses conceitos de belo e feio. A coisa no mínimo estranha e intrigante, bizarra e viva, e um tanto quanto invisível à olho nu.
O belo tá porcaria nenhuma nos olhos de quem vê, a verdade do belo tá na escolha do ângulo de percepção de algo muito maior. Assim é pra mim, e se assim não fosse eu tava muito fodida.
[Terça-feira, Fevereiro 26, 2008] Escrito no Domingo:
Post bem meu querido diário hoje.
Acordei com o despertador pra ir almoçar na casa de vovó. Hoje nem foi comida da vovó, mas foi da Cabana, então delícia pura mesmo assim. E o papo hoje rendeu. Percebi mais que nunca que minha tendência pra falar de cocô vem do meu padrinho (Binho), e a gente conversou muito de bosta, e enquanto comíamos. (Essas quebras de paradígmas sempre me atrairam, até as mais meRdonhas). Assim como sempre se discute sobre relacionamentos e filmes, e é sempre engraçado, além de novidades em tecnologia, descobertas recentes, novos empreendimentos pro futuro e afins.
Em relação à relacionamentos meu padrinho trata a coisa bem à masculina, com um humor incrível, mamãe tenta rebater com umas ideologias femininas mas acaba perdendo porque ele sempre parece ter uma piada na manga que até ela ri. De filmes ele nunca lembra o título, papai lembra e mamãe diz que não é, que ele tá se confundindo, e o teimoso fica insistindo que é aquele e a outra teimosa do outro lado dizendo que é outro. Depois o certo liga pro errado pra jogar na cara e fazer graça. Não sei a porcentagem de quem mais acerta, digamos que fica empate.
É uma sintonia muito boa, papai e Binho ficam um completando a frase do outro e eu completo umas lá outra cá. E risadas mil. O melhor disso tudo é que não tem muitas papas na língua, até porque um exemplo de nenhuma papa na língua é Teté. Além do mais, Teté e Loló são um show à parte. As duas tem uns setenta anos, Teté um tanto menos que Loló. Teté é a louca, que quando sai falando, bem alto como de costume, o pescoço vai ficando vermelho e a voz sai toda engasgada. Se bem que isso tudo combina com o que sai de sua boca: um destrambelho! E sempre enchendo o saco de Loló, sua irmã. Implicando com tudo! Enquanto a outra, sempre serena que pede até licença pra falar só fica olhando como se nem entendesse, talvez nem entenda, e dando umas risadinhas pra dentro um tanto quanto gulturais. Já prometi pra mim mesma que ainda vou escrever sobre as duas, personagens inspirados nelas, e ainda vou querer ver isso em um filme.
Vovó fica na cabeceira, assistindo tudo e rindo, falando pra quem tá comendo pouco pra comer mais, dando conselhos pra eu fazer isso e aquilo e adicionando à conversa alguns comentários de lembranças explanatórias.
Após o almoço e todo aquele papo que nunca rendeu tanto sobre homensXmulheres e mulheresXhomens fomos ao cinema assistir The Bucket´s List, como nos old times. Eu, mamãe e papai.
Fazia bastante tempo que isso não acontecia e foi muito bom. E dentre coçadas no braço que pareciam coreografadas e comentando coisas do filme, era um Haickel do lado do outro chorando e rindo. Chorando, chorando de rir, rindo e rindo de chorar. Exatamente assim. E lógico, uma das coisas mais legais de se fazer com papai: encher o saco de mamãe. E como é bom escutar aquela risada histérica de bruxa de mamãe fluir tão naturalmente...
Hoje me reapaixonei pela minha família. Até porque no fim... it´s all we´ve ever really got.
[Sábado, Fevereiro 23, 2008] O dia depois de amanhã do post anterior é hoje, e sinceramente you never know. E mesmo quando um dia parece prometer pode ser mais do que você esperava e completamente diferente do que você esperava que fosse. É impressionante como tudo pode mudar em um segundo. Um gesto, uma expressão corporal, uma palavra ou a falta dela. Um exagero, um impulso, um pé pra trás, os dois pés pra trás, até três. Uma risada que vem na hora errada, uma lágrima que insiste em não cair se transformando em angústia ou um sapato apertado que acaba com a noite toda. Um passo que você deu mais rápido, aquela parada pra cumprimentar alguém, a coincidência de ver algo que te remete à uma pessoa que há tempos não fala e que acaba te fazendo ligar pra dar um alô. Tudo muda à todo segundo. E pra mim é mais impressionante ainda ver que o peso de uma coisa ruim é trezentas vezes mais do que o peso de uma coisa boa. E como diversas coisas boas podem se encontrar em estilhaços por causa de uma coisa ruim. Que mundo é esse...
[Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008] Picture me de frente pro computador em plena 06:41 da manhã, com uma caneca de sopa de batata de coloração duvidosa e realçador de sabor glutamato monossódico e inosinato dissódico. Minha cara de felicidade é inerente ein.
Meus cigarros acabaram, eu não consegui dormir de novo durante a noite, meu apetite tá querendo chegar junto bombando graças à essa ansiedade maluca, minha testa tá umidecida de um suor frio, you name it. Well, blame it on the moon! Lua cheia ontem, eclipse ontem, chuvona ontem, relampagada e trovoada ontem. É, ainda. Até Mother Earth tá tirando uma com a minha cara... E esse chilreio dessas pomba véia na janela é o eco é da gargalhada do cosmos!
Interesting as it seems não estou na tpm, não estou na pós e nem durante a 'm', vai ver esse tempo em que não se está em nenhum dos três estágios seja o mais complexo e ninguém perceba que tpm acaba sendo um estado de espírito crônico. Porque meu povo, só pode ser! Ontem se eu tivesse assistido algum drama eu teria me debulhado em lágrimas, mas graças à alguma força piedosa assisti Festim Diabólico. Instigante, inteligente e engraçado ao seu jeito. Maravilhoso em uma palavra. Vai ver foi isso que me tirou da lama, porque sempre que vejo um roteiro e seus diálogos que me fascinam em um filme eu lembro o que eu quero pra minha vida. Acabei estudando de madrugada, fazendo pesquisas e anotando livros pra comprar.
Hoje promete e amanhã promete. Os depois de amanhã you never know.
[Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008] Os pêlos da nuca se arrepiaram pelo susto. Aquele relâmpago havia iluminado todo o ambiente através da janela. Com os olhos arregalados fitava em direção ao mundo lá fora, como se esperasse algo. Veio o estrondo. O céu inteiro parecia se contorcer, era como se o universo se espreguiçasse, fazendo o chão tremer e as pessoas em suas camas, dormindo ou acordadas, ter espasmos. Ela estremeceu.
A chuva veio novamente. Era a segunda vez, ou talvez terceira, naquele dia. E enquanto se espera que a chuva que vem após a outra seja apenas algum tipo de resquício se engana. Ela começou a indagar se algum mar havia secado e não saiu nos noticiários, pois o barulho da água no asfalto era como se chovessem pedregulhos, e da colisão subia a névoa.
Relâmpagos vieram novamente. Ela foi pra perto da janela aberta, deixando com que os pingos de água lavassem seu rosto, e fechou os olhos. O trovão viria depois e ela começou a contar os segundos mantendo os olhos bem fechados. A adrenalina fluiu, o coração acelerou, o susto seguinte seria voluntário e a sensação se encaixaria como libertação. E o fechar de olhos seria como se os tivesse aberto mais. E assim o foi.
O barulho ecoou como um grito de raiva, mas pra ela era só o barulho resultante de ter respirado fundo.
Ontem, madrugada, chuva torrencial.
[Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008] Eu, meio bicha e criança feliz, gosto de contos de fadas. Porém, eu, questionadora e indagativa como sou, me pergunto: Bela Adormecida não caga?
Como é maravilhoso acreditar em contos de fadas, são de FADAS provavelmente porque não existem mesmo assim como as tais. Daí a menina cresce acreditando no príncipe encantado que errr... não existe? E agora é a hora de realmente PASMAR: a menina cresce se colocando no papel de PRINCESA! Mas gente, eu nunca vi nem Cinderela nem Branca de Neve flatulando. Pior ainda, Ariel, a pequena sereia, quando cria pernas já vem depilada. Os lábios rubros como a rosa da Aurora são mostrados como naturalíssimos. O vento não bagunça as madeixas da Pocahontas, a faz mais bonita. E pasmem mais uma vez: a maioria delas se CASA e vive FELIZ pra SEMPRE.
Então tá, já se cresce com aquela paranóia: "tenho que ser princesa, tenho que ser princesa, tenho que ser princesa!" E pra se ser princesa sem estar no tal fairy tale tem um preço: padecer! Padecer pagando ainda por cima!
Eu, amante de boas mudanças e pesquisas de campo em prol de hobbies como sou, comprei uma pedra pomes. Nunca deixo nenhuma pedicure passar a tal da pedra pomes no meu pé, eu sempre tenho um ataque de riso suficiente pra me fazer chutar a moça longe! Então, por motivos de segurança geral e evitabilidade de qualquer processo de homícidio apenas comento que não é preciso. A moça provavelmente fica se perguntando: "Aonde, nesse mundão de meu Deus, existe uma mulher que gosta de ter esse pé cascudo que mais parece uma palmilha de lixa?". Pois é, eu estava decidida a dizer tchau para meus pés de pedreiro, lixei e lixei a sola do pé direito e depois lixei e lixei a sola do pé esquerdo, retornei ao direito e voltei ao esquerdo e assim sucedeu por uma hora, sem exageros, aquele atrito foi surreal.
Pedra Pomes: R$ 2, 00.
Tempo: 1 hora.
Perigo: Quebrar uma das unhas.
Exercício: Bíceps e antebraço.
Expressão: Careta.
Resultado final: ficou um brinco, nunca vi nada mais bem polido que aquela pedra pomes!
A busca dessa pobre de alcançar o nível de princesa nessa vida real bandida e MUDERNA será possível? A RATA borralheira se transformará em Cinderela? Ou como toda Cinderela só se é princesa até meia-noite?
To be continued... foreva.
[Terça-feira, Fevereiro 05, 2008] Tentando guardar tanta coisa na cabeça pra depois escrever acabo ficando sem nada pra falar quando consigo sentar de frente pra isso aqui. E esse trocinho fica piscando nessa tela vazia me dando uma agonia tremenda. Como se quisesse mostrar que o tempo tá passando com sua célebre aparição à cada segundo e seu desaparecimento no meio de cada um.
Então, vamos sair falando... Tv. Fazia tempo que eu não assistia mais de uma hora de tv, mesmo eu estando no meio de uma viagem (e não é que eu não esteja aproveitando). Mas enfim, tv! Época de Carnaval e parece que o Brasil para. Para pra que? Pra tirar a roupa, beber até cair, homem se vestir de mulher, cantar até ficar rouco, se melar de condimentos, em resumo, viver o hoje intensamente, como se não houvesse amanhã. Eu sinceramente não entendo porque tem que se ter um feriado pra se fazer isso... Ou é o feriado que deixa tudo mais interessante? Ter simplesmente essa época do ano pra fazer coisas do tipo? Mas, todo mundo não tá fazendo também? Qual é a graça que vêem então? Seria a "piração" em comunhão que faz a coisa toda interessante? Seria a sensação da mesma transmissão energética por todas as pessoas (logo tornando-se recepção também) o impalpável e prazeroso sabor do Carnaval? Em uma corrente de pensamento: uma transmissão de energia em grupo é focada em um propósito. Qual seria o caso do Carnaval? Divertir-se. Tá, cada um com seus hobbies e suas formas bizarras de entreter-se, que muitos não compartilham e até enojam-se. E já me vejo no famoso "minha liberdade termina quando a do outro começa".
Um bando de gente num só local dá em confusão. Acho que isso é incontestável. Porém, como todo o resto, sempre se coloca na balança depois e se vê qual dos lados prevaleceu e é sempre o da mulata com a bunda des-celulitada (fico besta) de fora, dos famosos, semi-famosos e os querendo-ser-famoso no camarote da Brahma, a multidão dançando e sorrindo. Um Pão e Circo do qual os meios de comunicação se fartam. Digo de forma bem menos crítica do que parece e nada tão discordante do quão parece, além do mais eu aprecio a continuação das nossas tradições culturais e já passei da fase de criticar a tradição do meu país em relação aos outros países que, muitas vezes, pensamos ter melhores e mais belas culturas. É incoerente dizer tal, não existe essa verdade absoluta, cada cultura tem uma beleza em seu porquê de existir e algo só se faz melhor ou mais interessante pra alguém por influências e meros interesses próprios, quaisquer que sejam.
As pessoas tendem a falar ou fazer algo, se soltar, quando existe um primeiro (julgado de louco, sem escrúpulos e mais uma carreta de adjetivos que denomine algo de errado com seu estado psicológico ou espiritual) para fazê-lo. Ninguém sairia dançando de porta-bandeira se não tivesse um mestre-sala, ninguém andaria cantando sozinho pelas ruas com uma latinha de cerveja na mão se já não estivesse bêbado, nenhuma menina sairia pulando pela avenida atrás de um trio elétrico imaginário, raro é aquele que se fantasia pra sair de casa em uma terça-feira como outra qualquer, e não existe uma só andorinha fazendo verão... e eu vi, um bando de andorinhas num frio de 11ºC. Elas não fizeram muito verão, veja só, assim como eu não acredito que pra se ter Carnaval se precise de uma multidão de homo sapiens (Parabéns! Você acabou de encontrar uma ironia! Leve-a para casa e lembre-a todos os dias! E aqui foi mais uma inteiramente grátis! Opa, opa, opa, essa foi ganhe 1, leve 3!).
No fim, todo mundo bebe em horas não festivas mesmo, se é esse o incentivo para se fazer coisas diferentes do dia-a-dia, bom, que pena. E eu me pergunto o "por que é tão interessante se tá todo mundo fazendo igual?" porque eu acho que deve ser mil vezes mais ser o louco, sem escrúpulos e mais uma carreta de adjetivos que denomine algo de errado com seu estado psicológico ou espiritual sozinho. Por que não cantar até ficar rouco no banho? O vizinho se incomodaria e te acharia excêntrico demais... Sabe-se lá se o vizinho não é aquele usando a camisola da mulher em frente ao espelho achando a cena mais hilária de sua vida, se julgando um louco por fazê-lo e estar rindo sozinho, e imaginando o que as pessoas falariam se vissem aquilo? Por que não meter a cara naquele bolo de confeitos da padaria? Você teria que pagar, eu sei. Mas porque não pagar pra fazer essa vontade repentina e esdrúxula um fato pra se rir depois? Não é nenhum crime, você não vai tá fazendo mal à ninguém... e além do mais, que se danem os garfos! Você ainda pode comer o bolo com a mão mesmo e dando abocanhadas direto na fonte, até porque "limpar-se" não vai entrar em extinção de uma hora pra outra, vai?
E você descobre que a roupa que você tem que usar se torna uma fantasia, a forma como você tem que falar se torna uma piada, assim como o que você tem que dizer. A maioria das pessoas vivem seus personagens todos os dias porque eles têm, todos nós passamos e vamos continuar passando por isso, mas apenas poucos vão poder viver bem exercendo um papel pré-estabelecido sem ter que seguir um padrão totalmente pré-definido da personalidade atuante de tal. Sendo assim, seria o Carnaval simplesmente uma libertação de verdadeiros "eus" através de fantasias caricatas, visíveis e palpáveis?
Eu digo que esteja aberta a temporada do Carnaval Pra Sempre Fora De Época De Vez Em Quando. Por que todo mundo deveria fazer qualquer outro dia seu dia de libertação, seu próprio Carnaval, e deixar de usar esse feriado (e qualquer outro de mesmo efeito) como a desculpa e o motivo. Enfim, Carpe Diem, Feliz Desaniversário, Ao Infinito e Além e como mais queiram!