Any experiment of interest in life will be carried out at your own expense.
The Libertine
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[Quarta-feira, Março 26, 2008] You little bonobos girl
Why are you being such a prick
Why do you keep all those stickers on your wall?
You little devilish tool
Why are you being such a fool
Why do you keep all those memories on the hall?
To your mind there´s no salvation
To your pain there´s no frustation
To your skin there´s no humiliation
To your life there´s no one
You little disguised mess
Why are you being such a scum?
Why do you keep this vested interest up your ass?
You little common sensed
Why are you being such a drag?
Why do you keep this silly costume down your neck?
[Terça-feira, Março 25, 2008] Mary esperava Jane em uma das poucas mesas vazias do Café. Todos riam e comentavam do dia de trabalho, ou do final de semana que se passara, tomavam café e comiam bolinhos. Mary se contentava em fumar um cigarro atrás do outro, como se se assim não fizesse seria capaz de se distrair de alguma forma inaceitável pelos outros. Na verdade, seu comportamento com o cigarro já era inaceitável demais para aqueles em seu Happy Hour. Mary vivia o Sad. Sendo assim logo pediu para o garçom uma dose de uísque. Olhares a cortaram. O que uma menina tão nova como ela fazia aquela hora sozinha em um Café fumando compulsivamente e revirando com o indicador o gelo em um copo de destilado?
Fazendo de conta que não ouvia os comentários maldosos e críticos das pessoas vestidas em trajes sociais, ela continuou brincando com o gelo tentando escutar em meio aquela explosão de blablablás o seu tilintar contra o vidro do copo. Era um exercício de concentração, de bloqueio, e mais uma vez ela não o conseguira. Enxugou o dedo rapidamente no jeans que usava e deu um longo gole no Johnny. Olhou ao redor com o intuito de intimidar os curiosos. Esses disfarçaram e viraram o rosto. Porém ela entreouviu:
- Não é a filha do Golias?
- Meu Deus, é mesmo!
Ela fixou o olhar no casal que comentava tão abertamente de sua vida como se fosse capa da Caras. Eles abaixaram o tom e continuaram dando espiadelas que em qualquer outro contexto seriam um tanto cômicas. Para ela era apenas triste e inquietante. A vontade de sumir e de explodir duelavam dentro de si tão fervorosamente que o único resultado foi seu silêncio e mais um cigarro acendido.
Jane sempre se atrasava, sempre a deixava esperando. Mary começou a lembrar de tempos passados e começou a rir sozinha. Pronto, mais um motivo para pensarem que a menina era uma desequilibrada, ou que no mínimo estava sob o efeito de alguma droga. E quanto mais memórias a acometiam, mais ela ria, e já começara a gargalhar tão abertamente que alguns olhavam para suas orelhas procurando algum fone de ouvido pra ver se ela estava ao telefone ou escutando alguma piada na rádio. Nenhum dos dois.
O que a fazia rir era a lembrança de um show imaginário em seu quarto no qual Jane segurava como microfone uma Free Willy de brinquedo e dançava loucamente, seguida das lembranças de uma gravação de um filme de terror em inglês que elas haviam feito com as outras amigas, de quando tinha aquela brincadeira à três, que ainda acontecia às vezes, de começarem a se bater com o travesseiro, dar chave de braços, imobilizar e encher de cócegas umas as outras até a outra não conseguir mais respirar, geralmente a mais engraçada delas sendo o alvo principal sempre, de quando ela mesma soltou um peido no meio de uma crise de riso, de quando se inventava músicas em uma verdadeira embromação de inglês ou até mesmo francês, de quando descobriu em uma agenda velha de Jane escrito "mamãe é boboca", de quando Jane insistia em tentar arrotar o alfabeto, de quando havia começado a falar com Jane...
Ela havia quebrado a perna e Mary sem ter nenhuma forte ligação com ela se dispôs a perder o recreio pra ficar na sala fazendo-lhe companhia. Tudo o que Mary queria quando pequena era uma amizade verdadeira, "como as de filmes", ela dizia, e ela procurava por isso. Nessa lembrança as gargalhadas cessaram e se resumiram à um sorriso sem dentes, mas sincero. Mary lembrou-se em como aquilo foi uma meta para ela quando tinha onze anos e em como falava daquilo abertamente e como às vezes até impusera aquilo dando vazão para uma colega insegura usar isso para ter a completa atenção dela e de Jane, e foi como ela percebeu que aquilo não era para ser planejado ou imposto e se libertou de tal ideologia. Aquele sorriso que esboçava na face e que fizera ela levar o cigarro à boca com mais tranquilidade era exatamente pelo fato de que no final das contas o que ela tinha era uma amizade como as de filmes, essas de cinema.
Jane chegou quase uma hora atrasada e apesar de ter deixado Mary impaciente por toda aquela espera, quando viu a amiga toda a chateação desapareceu. Jane sentou-se, pediu um cigarro e perguntou que diabos Mary fazia tomando uísque. Mary não se incomodou como quando os outros ao redor a lançavam olhares de desaprovação, na verdade ela não se incomodou nem um pouco, ela riu, porque sabia que se ela não falasse nada à respeito ou se simplesmente comentasse "porque eu tava afim", Jane não teceria críticas, não insistiria em um assunto tão insignificante e o melhor de tudo: realmente a conhecia e compreendia.
[Domingo, Março 23, 2008] São por essas e outras que a vida não é um ciclo vicioso monótono, exatamente por isso. Você nasce uma mala, um compartimento vazio, e sempre confrontado com as mudanças você revive a sensação do nascimento. O desespero pela incompreensão da vida, o medo do desconhecido, simplesmente o vazio puro e essa propensão de se encontrar em posição fetal na cama, pedindo conforto, segurança, pra sabe-se lá quem ou o quê. E toda mala é preenchida e esvaziada, talvez malas não se lembrem das roupas antigas que a habitaram, mas a gente lembra de tudo, pois apesar de adormecido ainda está lá por fazer parte do nosso processo de crescimento, crescimento mesmo muitas vezes só para alguns, mas enfim...
A partir do momento que a gente começa a perceber que viver não é tão ruim assim através de experiências prazerosas, como o sono depois do parto, o toque gentil na nossa pele, o vento nos poros umidecidos, a sede quando saciada, a gente começa a preencher essa bagagem. Tudo que é bom só é bom porque entra em contraste com algo que nos causa desconforto e assim a gente vai aprendendo e assimilando sem nem saber. Até aí é tudo muito fácil.
Quando a gente aprende a se comunicar, a gente não necessariamente aprende a se comunicar direito, e isso é muito relativo. Afinal de contas, o que é se comunicar direito se é necessária a capacidade do interlocutor de compreender a mensagem que passamos? Capacidade essa que não se pode sempre falar quem tem mais ou menos, porque também depende das concepções, experiências e formas de percepção de cada um. Nisso tá incluso todas as formas de comunicação: expressão corporal, facial, escrita, falada, arte etc. E é através dessa comunicação complexa que se passa a assimilar as coisas ao redor. A incompreensão pelas diferenças é o maior obstáculo.
A melhor parte da assimilação dos fatos é quando se é capaz de procurar entender, e isso sendo feito inserir algum novo conceito e lição na nossa vida, deixando-os abertos para mudanças no futuro, onde é sempre importante reavaliar e dá uma olhada em tudo que temos na nossa bagagem acordando até os defuntos do passado, defuntos esses que se manifestam no dia-a-dia com outras caras e passam desapercebidos.
Mas qual o sentido de se testar, de arriscar, de procurar se entender se é algo que não vai atingir seu fim nem no leito de morte? Se ciclos viciosos são chamados de viciosos por um motivo? Todo esse pessimismo é espancado até ficar desacordado quando algo inesperado ocorre dentro de um desses ciclos, não necessariamente uma ação, um gesto, mas melhor ainda: algo dentro de você. O vazio vem pesando toneladas, mas quando você percebe que você simplesmente não se sente desconfortável como você se sentiria de acordo com todas as outras vezes das quais passou pela mesma coisa a felicidade é no mínimo estranha. É como de repente aparecer mais dois braços no seu corpo e você não achar ruim.
Às vezes eu penso que quando eu estiver prestes a morrer eu vou rever tudo na minha cabeça e o que será que eu vou rever que eu ainda não revi e nem vivi... E só assim vou poder dizer se valeu à pena viver. Enquanto isso não chega eu vou me construindo pra me entregar pro vazio eterno sem relutâncias, sem desconfortos, satisfeita com o que fui e o que deixei pra trás.
[Segunda-feira, Março 17, 2008] Out of season, out of cess, such a mess... I´m such a mess.
You see? It´s raining outside again. Not much different from my insides still. Probably it has never been as strong as this, probably it won´t be the last time until I get to the point of almost drowning to feel life back at my skin. Pain makes you feel alive, as they say.
Sleeping and not resting is like riding a bicycle and not feeling like raping the wind passionately. Something I can´t even speak of, you see... I can´t even ride a bike, just as I can´t put this feeling aside. It´s not about learning the tactics and strategies, it´s not something I can learn to shield, it´s just one of those somethings that comes, spit on your face, leave you fucked up with your embarrassment and stupidity and the well known let´s hope for the time to take it away.
When all you want is for the time to pass it gets stubborn. You can´t feel at peace even in your sleep, because your dreams come all in scenes of full psychological pressure, too real to be dreams. Your mind isn´t really keen to help you out, you see? Or is it your mind just another victim of the whole enchilada even at its subconscious state? Damn, woman... you´re in deep shit then. "Don´t tell me about it..."
And I won´t. I won´t waste words with wasted people. I won´t follow the script of riddles with riddled spirits. I won´t try to change all over again and I won´t take the blame this time. Wish all my won´ts were real as my theories. In theory that, in theory this... all the blinking time! It´s like spend your whole life only wanking.
My room smells of coffee and smoke in this 'just another monday morning', the rain is just a drizzle now sweetly falling down, even though I can hear thunders at a distance.
[Domingo, Março 16, 2008] "There are a thousand thoughts lying within a man that he does not know till he takes up a pen to write". Ou então se encontrar em frente ao computador sem ter nada pra fazer e tudo que lhe resta são seus pensamentos embaralhados, o teclado e uma frase que te inspira ao aparecer em um simples clique.
Agora começo a tentar encontrar pensamentos secretos dentro da minha cabeça, e a pressão de fazê-lo eu sinto no meu canal nasal. A sensação é como se eu estivesse alguns metros debaixo d´água. Seria o mesmo com esses pensamentos? Estariam eles tão lá no fundo assim, sufocados? Ou eles seriam apenas parte de uma superfície aparentemente invisível que nos influencia tanto, nos faz o que somos, mas não percebemos? A vontade agora é apenas que eles saiam dessa imensidão, encharcados ainda, genuínos, brutos, para serem polidos, enxutos e depois remergulhados com a consciência de que eles estarão lá, boiando ou nadando, e provavelmente serem pescados novamente em um futuro próximo ou distante.
A curiosidade é um impulso mental, e a curiosidade pela sua própria mente é um filme sem rótulos, ao mesmo tempo que é uma comédia gostosa, é um drama desequilibrador, uma aventura eterna, um suspense que deixa a boca do estômago seca, uma ficção científica que teimamos em acreditar. Como achar tudo que há dentro da cabeça quando a procura é feita exatamente pelo próprio alvo? Como compreender uma máquina através dela mesma?
É insaciável e incessante, mesmo que excitantemente irônico por sua impossibilidade de ocorrência geral e total. É sempre assim? Sempre queremos o que não podemos ter? E se pudéssemos ter isso por completo não seria menos interessante também? É exatamente essa a motivação, não é? E a vontade de sermos pessoas melhores. Afinal, se não nos ocupássemos com isso seríamos definitivamente apenas carcaças animadas. A busca pelo equilíbrio, pela compreensão de todos os lados, pela aceitação destes, pelo mantimento de valores em prática e a flexibilidade para revê-los é o que não faz de algumas pessoas mais um grão de areia, apesar de cada grão parecer idêntico ao outro. A propensão a ver além, e ainda apenas e deveras louvável disposição para tal, faz um grão de areia diferente dentre os outros.
No fim não sei se achei nada de muito novo procurando pela minha mente, acabei repescando coisas que acho bom sempre lembrar e expondo de uma nova maneira, o que já faz a coisa em si receber um novo polimento mesmo que pareça ínfimo. E com essas frases que aparecem de repente eu consegui repolir uma idéia por achá-la em outras palavras: "I've got a very poor sense of direction. I keep forgetting which way is forwards". Porque é difícil saber o que é ir em frente quando se vira um grau e o caminho já é outro. Porque é difícil ajustar suas metas e objetivos aos dos outros. Porque é difícil tomar decisões perante dúvida. Porque é simplesmente o maior desafio humano: saber seguir em frente. Pra que lado é mesmo?
[Quinta-feira, Março 13, 2008] Tempos como esse quando você se encontra na chuva e quando na chuva é onde você realmente pertence, não dá pra ficar com tantas pessoas ao redor. Todos os discursos têm palavras sem nexo e sufocam, e tudo o que você quer é desligar, dormir, e quem sabe acordar uma outra pessoa. Tempos como esse em que a chuva parece ser sua verdadeira expressão de espírito são vazios, são impotentes, você sente inveja do barulho que ela provoca, porque você... bem, você está muda para sua verdadeira causa, inerte.
E a chuva derrama o que você gostaria de derramar, fazendo uma correnteza, levando todo o lixo pra outro lugar. Mas você não se importa, você só quer esvaziar esse cesto pra preencher essa solidão lotada. O problema maior é o lixo proveniente das coisas que te importam. Como separar? Ninguém fez nem questão de dividir os biodegradáveis dos outros. Como mandar tudo pra reciclar? Metendo a mão na imundice toda pra tentar tirar o chiclete que grudou no copo ou a mancha de suco do papel. O que não é nada fácil, nada. O copo vai continuar com resquícios do chiclete e o papel com os do suco. Tudo virou lixo, lixo vira tudo.
A água por mais que pareça que lave e leve embora, não leva até muito longe, continua ali em algum lugar de qualquer forma. E o lixo que ela leva embora de outra vista de janela, vem parar bem em frente ao teu parapeito. Fugas não existem, lixo é lixo, e à todo momento alguma coisa está sendo estragada, jogada fora por impulso, amassada e atirada com violência ou como se pouco importasse a criação de mais. Parece que ninguém percebe no ato que está criando coisas ruins para si e para outros, e mesmo quando percebem mantém o orgulho e deixam passar aqueles segundinhos que tem a capacidade de praticamente apagar o que foi feito e não deixar o tempo putrificar tudo por si só. E às vezes não são nem segundinhos, às vezes são minutos, horas, são meses, anos, uma vida... E ainda se pode mudar alguma coisa voltando atrás em uma palavra que estragou tudo, assim como o chiclete que estragou o copo. Se alguém tivesse tirado na hora, talvez nem resquícios ficassem, mas o tempo o fez aderir e a reciclagem se faz falha na eficiência.
Por mais que a chuva alivie a paisagem e por mais que lágrimas aliviem um coração apertado, esse alívio nada soluciona. Assim como não soluciona o tentar esquecer quando ainda é recente, o sorrir quando por dentro tudo se deforma e esquecer do braço quebrado ao querer jogar volei. Engraçado, não? Então não tente ignorar seus erros, suas falhas, seu lixo. Correnteza vem, correnteza vai e eles vão continuar ali, apodrecendo seu foco de visão, apodrecendo você.
Observei a chuva pela janela hoje e uma embalagem sendo levada pela correnteza até desaparecer de vista. Sentei e escrevi isso.
[Domingo, Março 02, 2008] - Eu não quero ficar sozinha...
- Você nunca quer...
- Quero, mas não agora, não hoje...
- Eu nunca vi você querendo ficar sozinha...
- Você não me vê sempre.
- Mas eu sempre vejo você disponível.
- Presença física não é disponibilidade.
- Vão fazer reunião "em espírito" agora e não "em pessoa"?
- Se pudessem fazer garanto que teria mais resultado.
- Hahaha... Já tá tarde e você já começou a defender algo indefensível.
- Mas isso é só o óbvio! Se as pessoas fizessem as coisas com a alma não ficariam parecendo disponíveis apenas, elas realmente o seriam.
- Quanto mais tarde fica, mais utópica fica...
- Quanto mais tarde fica, mais impaciente fica...
- Isso não vai acontecer, simplesmente não vai, pra que perder tempo pensando nisso?
- Pra mim não é perder tempo, e se você não percebeu tudo começou com um sentido figurado empregado de brincadeira à uma frase sua.
- Como se fizesse alguma diferença.
- Pra mim faz muita.
- Você começaria a falar coisas do tipo de qualquer forma...
- E você implicaria com qualquer coisa que dissesse.
- E lá vem o drama...
- E lá vem a ironia...
- Lá vem mais um rebate.
- Lá vem mais um rebate.
- É isso, vou embora.
- Você nunca esteve aqui.