Terça-feira, Outubro 28, 2008

Existem algumas tristezas constantes provenientes de minhocas cerebrais colossais e faraônicas em potência apesar de serem pequenos anelídeos. E como todos esses seres, alimentando-se de matéria em decomposição elas circundam minha caixolinha, só que elas não saem de lá e o resultado da digestão da podridão se torna novamente comida pra pensamentos biodegradáveis.

Que grande merda, meus amigos. Qual é a solução para tirá-las do crânio e deixar meu conjunto seleto de mágoas e decepções para serem esquecidos em uma simples lixeirinha de plástico barato mental?

Com essa questão me propus a pensar ativamente no quesito, colocando as criaturas gordas e com mais anéis que saturno para cochilar, esperando que elas pudessem ter um sono tão profundo quanto o da bela adormecida sem o príncipe. Como fazer? Como fazer?

Vou me mudar! Ir para longe, onde campos verdejantes predominam e ovelhas me acordam em vez de odiosos carros de som de candidatos à prefeitura. Vou me vestir de camponesa, beber um pint or two todos os dias antes de dormir e trabalhar no mercado mais próximo vendendo idéias engenhosas para solução de mazelas da vida alheia. Ou vou virar pilota de avião, reconstruir sozinha um concorde, treinar uma tripulação de pessoas insatisfeitas com a vida para atuar no triste ritual de "como colocar seu salva-vidas" e, quem sabe, ir à lua para um banho estelar. Ou poderia cometer um homicídio. Dois? Três? Viraria uma serial killer, isso, uma serial killer. Fazendo uma seleção de partes do corpo das vítimas aptas a serem arrancadas sem tirar a vida do indivíduo, mas que me proporcionariam muito sangue pra enxugar e muitas outras partes para tirar até o momento de óbito. O resto eu passaria no liquidificador e juntaria com vitamina de mamão , maçã e abacate para dar aos meus vizinhos queridos e eles adorariam, sem sombra de dúvidas. E ainda, posso esquecer disso tudo e ir pra África segurar as crianças no colo e me fazer famosa pelo contraste da minha boa saúde com os pobres desnutridos que um fotógrafo famoso amigo meu estamparia nas revistas e jornais do mundo inteiro.

As opções são muito poucas para me livrar dessas minhocas estúpidas! Mas, e se eu alimentasse elas tanto ao ponto de se tornarem minhozillas e explodirem? Hm, o único problema seria uma tendência à insanidade e tiques nervosos, mas creio que vale a pena o risco... Até mais então, que estou indo exercitar meus dons para com a paranóia.


...

por Laila Razzo *

Terça-feira, Outubro 14, 2008

Eu escrevo como quero. E escrevo como quero porque posso escrever como quero. Não estou aqui pra ser cicrana ou fulana que escreve muito bem, estou aqui pra colocar pra fora qualquer pensamento que aparecer, e colocá-lo da forma que sair. Afinal de contas, não estou dependendo de nenhum resultado do que escrevo. Escrever como uma adulta? Por favor, gimme a break. Eu nunca vou escrever da forma chata dos adultos e nunca vou me render somente aos floreios deles. Quem escreve apenas com uma cabeça adulta reverbera o tédio profundo da vida com suas adultices. Sou adulto por isso DEVO escrever como adulto, sou criança por isso DEVO escrever como criança? Quanta limitação! E quanta estereotipagem!

Aprofundar-me nas minhas idéias? Ora, mas veja só, estou eu a escrever uma tese para ser avaliada? Preciso agora escrever de acordo com parâmetros? Faz-me rir! E quem aqui quer parecer intelectual? Eu não. Nem que eu fosse. As minhas opiniões expostas, as brincadeiras que faço e todo o conjunto das minhas palavras aqui nesse blog nunca foram e nunca serão feitas para mostrar um nível intelectual, muito menos com o intuito de serem avaliadas como profundas ou não. Quem quer ler algo profundo não deve reconhecer esse blog como um centro de postagens desse tipo. E ainda existe uma diferença entre profundidade e aprofundar-se. Deixe-me explicar:

Profundidade vem com sensibilidade e visão CORUJAL. Aprofundar-se é colocar de forma compreensível uma linha de pensamento no papel (ou na tela) indo além da base das teorias e percepções, explicando tudo tim-tim por tim-tim, mas para mim "para bom entendedor meia palavra basta", não é preciso escrever um livro para explicar uma idéia se o intuito não for esse. O pior é que muitas pessoas acabam se enganando com essa idéia de ter que se fazer entender com uma série de parágrafos que falam a mesma coisa apenas com palavras diferentes. Não, não fica dinâmico, fica chato. E a minha razão de blogar não é escrever capítulos de teorias filosóficas.

O problema do mundo é levar certas coisas à sério demais. Não há pretensão de ganhar estatuetas de prêmios com as coisas que escrevo aqui, a pretensão é uma só: escrever e deixar-me escrever, seja como for, sobre o que for. Não tenho um "estilo literário", a cada postagem pode-se perceber diferentes formas de expor idéias ou comentar fatos e simples viagens estáticas. Meu compromisso é um só: escrever para me fazer um bem, e com sorte fazer um bem a alguém, usando a língua com todas as suas formas, estéticas e aparências. E em tempo: é mais importante a profundidade do leitor do que a do escritor em suas palavras. Se um leitor só consegue transcender com um escritor que aprofunda-se sempre, meus pêsames. Um escritor não tem o dever de colocar às claras todos os galhos de seus pensamentos, e não colocar não significa que não haja essa percepção extensa. É até engraçado... Não se pode chamar uma pessoa que escreve de escritor se nunca publicou nada, mas um leitor é qualquer cidadão que tenha capacidade de ler, quando a leitura só traz algum resultado quando se apreende o que é lido e se projeta em diferentes situações através da capacidade de associação de cada um, quando se apreende o que é lido e se compreende além das palavras escritas.

Receber uma crítica dessa vinda de alguém que sem dúvida concorda comigo é até estranho, e eu poderia responder só com a primeira frase desse post, mas tem horas que se fazer entender e os tim-tins por tim-tins são necessários, mesmo quando não exista tim-tim por tim-tim limitado, porque eu poderia fazer um livro cheio deles e ainda assim faltaria alguma coisa para ser citada. Mas e aí? Não deu pra entender?

por Laila Razzo *

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The world is ahead, never behind.
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